terça-feira, 1 de julho de 2008

Sobre o trabalho do Luciano

"Paixão de Cristo" X "A última tentação de Cristo"

Os filmes “A paixão de Cristo” de Mel Gibson e “A última tentação de Cristo” de Martin Scorsese oferecem material suficiente para uma analise a respeito de Cristo. No primeiro filme, Cristo assume livremente os comandos do Pai, pois reconhece nisso a intenção de Deus da salvação do povo. Já na Última tentação de Cristo tem-se um Cristo homem com desejos e que na hora do ápice de seu sofrimento já não reconhece sua missão e se deixa levar por sua humanidade.
Submetido às maiores humilhações e sofrimentos nos dois filmes, a figura de Cristo toma rumos opostos, porém no caso de “A paixão de Cristo” a natureza divina prevalece sobre o humano em Cristo, enquanto na “Última tentação de Cristo”, o que acaba por prevalecer é a porção humana de Cristo. Assim sendo, vale-se aqui uma reflexão voltada para o primeiro filme, já que o segundo só apresenta mai um homem cheio de desejos, vontades e egoísmo.
Pode-se concluir que no primeiro filme Cristo se reconhece como objeto da fé, ele vive o dilema entre o sofredor e a possibilidade de libertar-se do sofrimento, e, no entanto, quer suportá-lo e sofrê-lo. Isso foge à razão, pois ninguém se daria a esse sofrimento aplicando força para obrigar-se ao sofrimento e depois para suportá-lo. isso poderia ser uma explicação para o porque de Cristo ser um marco histórico que influenciou toda a humanidade. A filosofia depois de Cristo, não foi mais a mesma, foi repensada, segundo os novos paradigmas propostos pelo filho de Deus que praticou a caridade para a salvação do povo de Deus. Esta imagem causa na sociedade, no sentido ético, estético e religioso, muitas modificações, pois pelo menos o exemplo de amor puro e caridade existem. Isso serve à necessidade metafísica que o homem tem em sua existência, pois lhes serve como uma interpretação da vida.Portanto, podemos notar, que a necessidade de transcendência é própria do ser humano, não é simplesmente uma questão de fé e religiosidade.

Considerações sobre o trabalho da Sônia

Consideraçoes sobre o texto do Jorge

Caderno da atividade Ética e Psicanálise

O objetivo do trabalho é o de atingir jovens no tocante do pensamento de Freud e Lacan a respeito da ética da psicanálise.

1. Contextualização da vida de Freud

Nascido em Moravia, em 6 de maio de 1856, durante quase oitenta anos viveu em Viena, quando deixou a cidade quando ocorreu a ocupação nazista na Áustria. Morreu em Londres, em 1939. Ainda em jovem decidiu ser cientista na Universidade de Viena, e lá se graduou 8 anos depois de seu ingresso. Freud não tinha de inicio o intuito de clinicar, porém como não havia muitas oportunidades acadêmicas para um judeu e as necessidades de sua família estavam crescentes se forçou a fazê-lo. Apesar disso, ainda encontrava tempo para pesquisar e escrever. Suas realizações como pesquisador médico rapidamentelhe atribuíram grande reputação.


2. Contextualização da vida de Lacan




Jacques-Marie-Émile Lacan, nasceu em Paris, em 13 de abril de 1901, em uma família burguesa de origem provinciana e de sólida tradição católica. Lacan perdeu a fé no final dos anos 20, esse foi o clímax de uma verdadeira interrogação. Como se fizera com seus outros irmãos, acrescentou-se ao seu nome o da Virgem Maria. Progressivamente, renunciaria a esse nome, nos diversos textos escritos no período entre-guerras. O clima familiar, até mesmo banal, horrorizava Lacan .Em 1918, o jovem não encontrou entre os que voltaram da guerra o pai carinhoso, moderno e cúmplice, que tanto amava na infância. No entanto, tinha sido uma tia materna quem percebera a precocidade do menino, permitindo que estudasse no colégio Stanislas, em Paris; seu condiscípulo Louis Lepreince-Ringuet relatou seus dotes de então para a Matemática. Depois de estudos noColégio Stanislas, Lacan rompeu com o catolicismo.
3. Linha do Tempo
Fatos históricos que ocorrem durante o período de vida de Freud e de Lacan:
De 1871 até 1914, a Europa viveu um período de relativa paz. Os progressos tecnológicos e científicos, as reformas sociais, a elevação do padrão de vida, os progressos democráticos, o incremento da instrução de massa e o expansionismo europeu no mundo denotavam o apogeu da Europa liberal e capitalista.
Mesmo em 1914, poucas pessoas acreditavam numa guerra prolongada. O que essas pessoas não entendiam é que o sistema estatal europeu estava fracassando. Paixões nacionalistas, teses racistas, rancores antigos, alianças imperialistas e, sobretudo, uma violenta corrida armamentista, estavam ocorrendo.
Não percebiam também a onda revolucionária iniciada em Paris no mês de 1848 que espalhou-se pela Europa. Ela desencadeou rebeliões populares contra a opressão política e a desigualdade social que ainda prevaleciam em vários países. Encerrava-se o longo período de reformas políticas iniciado com a revolução de 1789.
Choques entre as potências imperialistas estavam ocorrendo. E dando caminho à Guerra Mundial de 1914. As disputas pelos mercados mundiais eram grandes entre as nações industrializadas. Estes países precisavam garantir matéria prima barata, e países consumidores para seus produtos manufaturados.
Alemanha desejava uma nova divisão do mundo. Seus objetivos eram a formação de um grande império alemão na Europa e a conquista das colônias que pertenciam à Inglaterra e à França.



A Rússia ambicionava destruir a influencia alemã e austro-húngara na Turquia e nos Bálcãs, além de obter uma saída livre para o Mediterrâneo.
O Japão entrou na guerra para se apoderar das possessões alemãs na China e no Pacífico. Aproveitando-se da situação para consolidar sua dominação na China.
A Bélgica, invadida pela Alemanha, lutava pela reconquista de sua independência e pela conservação de suas colônias.
A Sérvia lutava pela libertação dos povos eslavos que estavam submetidos ao domínio austro-húngaro.
E a França, além de lutar pela reconquista da Alsácia e Lorena, que perdera em 1871, desejava também diminuir o crescente poderio alemão.
Enfim, a guerra de 1914-1918 tinha por objetivo a redistribuição do mundo entre os grupos imperialistas principais, sendo seu motivo fundamental o antagonismo anglo-germânico.



O século XIX foi marcado por inúmeros conflitos e transformações. Crescia vertiginosamente a demanda por matérias-primas, por mão de obra, por mercados consumidores. As cidades viveram simultaneamente um intenso processo de crescimento, muitas vezes resultando em péssimas condições de vida e inúmeros problemas sociais. O ritmo de vida deixou definitivamente de ser regido pela natureza e passou a ser defendido pelo relógio. O movimento, a agitação, a mudança, a intermitência, o provisório, o transitório marcam a vida social no plano concreto.
Para as ciências, o final do século XIX representou mais do que uma mudança radical da imagem que se tinha do mundo, significou também um questionamento dos seus próprios fundamentos, o que levou ao surgimento de novas disciplinas.
As ciências sociais se enriqueceram, partindo para novas abordagens menos centradas no espaço e no tempo humano e mais preocupadas com o campo das representações, ou seja, com a percepção e a compreensão dos indivíduos acerca dos fenômenos sociais.
Em 1986, pela primeira vez é empregado o termo psicanálise, pelo médico vienense Sigmund Freud (1856-1939). A psicanálise não é um ramo da psicologia nem da psiquiatria, também não é uma doutrina filosófica, mas tem grande influência entre os filósofos preocupados com as expressões simbólicas da mente humana. Freud utilizou o termo psicanálise para designar o estudo das representações do inconsciente na psique humana.
4. Glossário de conceitos que ajudarão no estudo
PSICANÁLISE: Psicanálise é a ciência do inconsciente que foi fundada essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. A psicanálise é um conjunto de teorias psicológicas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento. A aceitação de processos psíquicos inconscientes, o reconhecimento da doutrina da resistência e do recalcamento e a consideração da sexualidade e do complexo de Édipo são os conteúdos principais da psicanálise.
Dois significados para psicanálise:
1. um procedimento criado por Sigmund Freud para a investigação dos processos mentais através da livre associação e interpretação de sonhos e interpretação das manifestações da resistência e transferência;
2. uma teroia psicológica desenvolvida por Freud a partir de sua experiência clínica com pacientes histéricas. (Tradução livre do original: Campbell, Psychiatric Dictionary, 1996).
DESEJO: O desejo que Freud nomeia é enigmático, e se diferencia da necessidade, que pode se satisfizer num objeto adequado. Como é sabido, o desejo é de outro registro para a psicanálise. Ele aparece mascarado nos sintomas, sonhos e fantasias, que são signos de percepção pelos quais uma experiência de prazer ou desprazer tem sido memorizada no aparelho psíquico. Quando se procura o objeto na realidade, a procura é a partir desses traços, objeto que remete a algo perdido desde o início, mas que deixa uma inscrição. Isto determina a dimensão do impossível para a psicanálise; um impossível lógico. "Desejo é o impulso de recuperar a perda da primeira experiência de satisfação".O desejo é sempre outra coisa, que não satisfaz as pulsões. Pressupõe a falta. Para Freud o desejo tem sua gênese na perda da simbiose; para Lacan, é necessárias uma relação dosujeito com a falta.
INCONSCIENTE: Em psicanálise, o inconsciente é um lugar desconhecido pela consciência: uma "outra cena". Freud apresenta o inconsciente em duas tópicas. A primeira tópica trata de uma instância ou sistema constituído por conteúdos recalcados que escapam às outras instâncias, o pré consciente e o consciente. Na segunda tópica, deixa de ser uma instância, passando a servir para qualificar o isso e, em grande parte, o eu e o super-eu.
SIGNIFICANTE: O sujeito é representado pelo significante. Segundo a definição de Lacan, o significante é o que representa o sujeito para outro significante. O significante năo é só antônimo em relaçăo ao significado. Tem uma importância essencial que não pode ser atribuída ao significado. Năo tem qualquer correspondência com o significado do signo lingüístico. A partir do significante pode ser revelada uma parte da verdade do sujeito, mas năo­ toda, já que seu desnudamento total faria desaparecer o recalque e aniquilaria o sujeito. Os significantes deslizam de um a outro, formam uma rede, trazendo um sentido expresso e outro latente.
COISA: Para Lacan a Coisa (das Ding) é condição de possibilidade de qualquer coisa ou bem da realidade do sujeito. Em suma a Coisa é o que do real padece dessa relação fundamental, inicia, que induz o homem nas vias dos significantes, pelo mesmo dele ser submetido ao que Freud chama de principio do prazer. Assim teria como direção o inorgânico, o vazio, e a morte. O campo de das Ding está, nesse sentido, para além do princípio do prazer e do principio da realidade. O principio de prazer guia o homem de significante em significante, mas a Coisa não é um significante. Refere-se à morte, é um pulo pra fora do simbólico.
5. Texto: Psicanálise como a experiência ética


Psicanálise é uma investigação dos processos mentais, e da psique em seus elementos constituintes. É a experiência sobre a relação do sujeito com o desejo, na tentativa de satisfação frente à castração simbólica.Freud e Lacan tentam elevar a psicanálise como um saber científico. Saber, que enuncia a articulação do inconsciente. Freud mostrou que a psicanálise era um a novidade que vinha adestronar o lugar de reinado do sujeito da consciência.
O empreendimento psicanalítico buscava constituir-se como terapia e como reflexão da cultura. Os psicanalistas desenvolveram diferentes modos, dos quais a psicanálise se aplica ao tratamento clínico entendendo a cura de diversas maneiras.
A psicanálise não pode ser uma ciência da natureza, como não pode ser em modo da matemática, mas está além da cientificidade mal sucedida.Para Freud não como colocar a psicanálise no interior de uma epistemologia pautada por aquela dicotomia, senão apenas com um equivoco ou uma falsa ciência.Para Lacan a psicanálise compreende-se como uma ética, como experiência da relação do sujeito com o seu próprio desejo e com as barreiras que separam um do outro.
Nesse sentido é preciso desconstruir outra dicotomia nomeada como ôntico-ético e reconstruir o sentido no qual podemos falar das condições de possibilidade do desejo e de uma ética do desejo. Embora Freud tenha recorrido a mitos para explicar aquilo que não tem referencia empírica nem demonstração argumentativa, o que estava em jogo em cada caso, especialmente no Édipo, era mostrar uma estrutura que permitisse dar conta do funcionamento de fenômenos ou manifestações sintomáticas que se encontram na clínica.
Para Lacan o inconsciente não é o âmbito das trevas, o irracional a caixa preta ou qualquer coisa que se possa reduzir a uma experiência mística ou a uma relação de oposição neutralizadora com a razão. O inconsciente está estruturado como uma linguagem. E é na busca da articulação que o analista precisa se comprometer.
Assim, Freud e Lacan apresentariam as condições de possibilidades daquilo que permite entender as manifestações inconscientes, mas na sua singularidade e não numa regularidade normativa. Porem Lacan, em vez de recorrer aos mitos, modela construindo esboços de aparelhos em relação com a linguagem e com aquilo que ela não alcança.
O aparelho do psiquismo humano dispõe-se a partir dos registros do real, do simbólico e do imaginário. Registros estes que permitem trabalhar a relação do sujeito com o desejo como uma experiência ética. É assim que Lacan chama aquilo que esta no próprio principio da entrada da psicanálise.
Mas Lacan chama atenção para a Coisa (das Ding) que é condição de possibilidade de qualquer coisa ou bem da realidade do sujeito. Em suma a Coisa é o que do real padece dessa relação fundamental, inicia, que induz o homem nas vias dos significantes, pelo mesmo dele ser submetido ao que Freud chama de principio do prazer. Assim a deriva teria como direção o inorgânico, o vazio, e a morte. O campo de das Ding esta, nesse sentido, para alem do princípio do prazer e do principio da realidade. O principio de prazer guia o homem de significante em significante, mas a Coisa não é um significante. Refere-se à morte, é um pulo pra fora do simbólico.
Para Lacan a ética articula-se por meio de uma orientação do referenciamento do homem em relação ao real. O que busca é para alem do dever, dos bens e da lei, uma transgressão do desejo uma certa função ética do erotismo. Mas, na medida em que o desejo esta para alem da lei, o risco da de nos encontramos com nada é inevitável.
A ética do desejo é uma ética sem modelos. Certamente, o para alem da lei exige ou demanda uma erótica, um erotismo na experiência ética. Mas para que objetos venham a ocupar o lugar da coisa, o vazio da Coisa é preenchido temporalmente por coisas que, a principio são substituíveis por objetos que sustentam uma identificação simbólica, por imagem sublimadas. Aqui a fantasia sádica nos apresenta claramente uma relação com o objeto de desejo, no qual, o nosso prazer pode ser realizado de todos os modos possíveis sem que o objeto perca a sua beleza. No caso do sadismo, o sádico realmente nega que o gozo seja impossível, e vai enfrente confundindo-se com o próprio objeto.
Assim, se o dever seria um recalque (ou pelo menos o controle dos impulsos do desejo) pela obediência da lei o gozo sádico não seria propriamente um para-além-da-lei, mas uma afirmação da lei de que é possível alcançar o gozo que é a lei. A outra lei, proíbe, na tentativa de regular, de determinar as relações entre os sujeitos. No sádico, trata-se da desmedida da lei, da renegação da castração simbólica, que dirige a pulsão, pulsão sado-masoquista, para uma tentativa da satisfação que retorna num modo invertido.

6. Indicações bibliográficas
MILLER, Jacques- Alain. Percurso de Lacan. Editora: Jorge Zahar, 1984, Argentina- Buenos Aires.
DAVIDOFF, Linda L.. Introdução à Psicologia. Editora Makron, 1998, Rio de Janeiro.
CHEMAMA, Roland. Dicionário de Psicanálise Larousse. Editora Artimédicas Sul, 1995 Porto Alegre.
FREUD, Sigmund. São Paulo, Abril Cultural,1974. (col.Os pensadores)

7. Indicação de filmes
BELEZA AMERICANA (Sam Mendes)
-semiótica e psicanálise.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (Stephen Spilberg)
-narcisismo e ética.
DE OLHOS BEM FECHADOS (Stanley Kubrick)
-psicanálise e política.
A RAINHA MARGOT (Patrice Chéreau)
-psicanálise e história.

8. Perguntas para se refletir sobre o tema
1. Do que Freud e Lacan foram chamados? Psicólogos ou terapeutas?
2. Em linhas gerais, qual a relação mostrada no texto entre a psicanálise de Freud e de Lacan com a ética?
3. Para Lacan, como a ética se articula?
4. Faça um comentário sobre o fato de os dois terem vivido em plena época de guerra mundial. Será que isso os levou a tomar certos rumos em seus estudos?
5. Por que Freud diz que a psicanálise não é uma ciência?
6. o que você entendeu por psicanálise? E como você a relacionaria com ética?

ATIVIDADE PRODUZIDA POR TÂNIA PASCHOAL E RAPHAEL MICHELATO

Vídeo e comentário sobre o capítulo do livro ""Nietzsche e os destinos da 'arte de curar'"

http://br.youtube.com/watch?v=YQ7lvYDRLvQ


No decorrer do capítulo intitulado “Nietzsche e os destinos da ‘arte de curar’”, do livro organizado pelo professor doutor Daniel Omar Perez, sobre o qual produzimos o vídeo, pode-se perceber qual o destino que a poesia que era tão valorizada entre os gregos antigos como uma forma de cura acabou tendo na constituição de homem moderno.
Entre os antigos a arte teria uma função natural curativa representada pela tragédia em contraposição ao dionisíaco, o qual para ele significava bárbaro e maléfico à saúde.
Essa função de cura da poesia tão valorizada entre os antigos não foi inteiramente erradicada, de alguma forma, mesmo nessa época de combate contra crenças e superstições, ainda percebe-se que algumas pessoas são presas ao fascínio que a poesia causa, um exemplo disso pode se explicitar quando pessoas recorrem aos poetas para dar força e sustentabilidade ao seu pensamento.Nietzsche vai considerar a "medicação" oferecida pelo modelo de cura moderno: inicialmente como de ação "hipnotizadora", com a finalidade de reduzir o sentimento de vitalidade das pessoas e ainda proliferar entre elas a idéia da renuncia de si, afinal não se precisa mais ocorrer a preocupação do sujeito consigo mesmo para se manter são já que existem diversos remédios para isso; em seguida com a ação de "benção do trabalho' acostumando a sociedade à "atividade maquinal"; e ainda como a prescrição de uma pequena alegria baseada no ideal do "amor ao próximo", pressuposto das instituições de ação benemérita. Esse "remédio" é eficaz quando fornecido à "formação do rebanho", pois corresponde à aversão de si em contraposição ao alívio que "associar-se" causa perante o sentimento de fraqueza sobre o qual as religiões trabalham.
Ao contrário dessa cultura moderna que perece devido a essa forma de arte da religião que hipnotiza e acalma, Nietzsche afirma em o "Nascimento da tragédia" que a cultura grega foi salva de perecer desse mesmo mal graças à arte: primeiro através da arte apolínea e depois pela tragédia.
Enfim, a arte continua, então, sendo um grande estímulo à vida, porém é preciso combater as forças artísticas que enfraquecem esse potencial estimulante dela.

Roteiro do filme

Re-produções apresentará!
O filme nascendo para um novo tempo, que será lançado no final do primeiro semestre de 2008 pela produtora Re-produções, busca explorar a existência humana imersa nesse contexto de aculturação que presenciamos atualmente, e é por presenciarmos esta era dominada pela tecnologia, em que o tempo fica cada vez mais escasso, que decidimos mostrar as conseqüências que isso traz a um indivíduo. No protagonista do filme que é Dionísio, propomos retratar um homem que, quando reconhece que viveu durante muito tempo perdido em ilusões, se defronta com uma existência inerte, ou seja, vazia de significados. É a partir desse defronte, aonde nenhum objetivo se atingiu e aonde nenhuma certeza sobrou que o personagem começa a descobrir a possibilidade de trilhar novos caminhos, re-elaborando assim o seu projeto de vida. Dentro desse panorama, portanto, a trama se divide em 4 partes: a primeira, quando o protagonista ainda está inserido na sociedade técnica e consumista. As principais características que exporemos no personagem é a perda dos valores, a desvalorização às instituições e a extrema necessidade de saciar seus desejos, que quando saciados, geram outros e outros. Na segunda parte, propomos demonstrar através de Dionísio o desmoronamento dessa vida somente materialista, e a desilusão frente ao mundo em que vivia, mostrando a percepção do homem que encara a existência sem nenhum sentido. Já na terceira pretendemos trabalhar com um desvelamento de novas possibilidades no encontro entre homem e natureza, acreditando que esse contato propicia um ótimo cenário para a descoberta de si -o que pressupõe a importância de uma ligação com o momento presente, pois só quando assim fazemos que paramos de nos pré-ocuparmos com outras coisas que não o que somos puramente- como ser que só é com o outro, e que, portanto, só se constitui enquanto relação. E finalmente, na quarta parte ressaltaremos o resgate de um sentido para a existência e a série de dilemas que alguém com esse propósito tem de conviver. Como afirmaremos algo sem deixar que o orgulho e o sectarismo não nos ceguem? Como lidaremos com toda a realidade que até então tínhamos encarado com outros olhos? Paralelamente a toda essa trama, que demonstraremos por intermédio da ficção, correrá paralelamente um documentário, no qual filósofos exporão suas opiniões, considerando escolas e pensadores, sobre os temas abordados no filme.

Nascendo para um novo tempo- parte 1
1ª cenadia.Personagens: Dionísio.Local: em um quarto.Uma moeda sendo lançada para cima.Dionísio: - Preciso repensar meu dinheiro.
2ª cenadia.Personagens: Dionísio, Julio (seu filho) e empregadaCopa, café da manha.Julio:- Bom dia pai!Dionísio: -Bom?...só se for para você.Empregada: -Ai seu Dionísio, pra que tratar assim a criança? Não vê que isso é traumatizante?Dionísio: -não to nem ai, só quero meu café. Estou atrasado.empregada: -Daqui a pouco sai!Dionísio: -É bom andar logo!Empregada sai.-Ta vendo filho? É assim que devemos agir. Devemos ter pulso firme com aqueles que são inferiores.Julio: -Mas pai, meu professor falou que todos os seres humanos são iguais, e que não devemos julgar as pessoas pelas suas aparências.Dionísio: -HAHAHAHA...Claro que não idiota! Isso é bobagem! O mundo não é assim. Isso ai é historinha pra criança. Na vida filho, sempre estamos correndo para alcançar o carro do outro, lutamos pelo status filho, corremos atrás do poder. Por isso, aprenda desde já! O mundo é daqueles que tem!Julio: -Mas... e o amor pai??Dionísio: -....acho que você ainda é muito novo pra aprender sobre isso.Empregada: - Ta aqui seu café! E o senhor pode acertar comigo, já não quero mais trabalhar aqui! Não consigo me conformar com todas essas besteiras que o senhor fala pro seu filho! Fica enchendo a cabeça do menino de minhoca!Dionísio: - Pois então vá! Ahh...e só pra não esquecer, seu café é tão ruim quanto você na cama.... Vá, vá logo e não me encha mais!
3ª cenadiaPersonagens: DionísioLocal: Rua, trânsito, dentro do carro.Um carro fecha o carro de DionísioDionísio: -Vá se ferra seu babaca!! Entra na auto-escola de novo rapaz!!“esse idiota acaba de estragar meu dia!”
4ª cenadiaPersonagens: Dionísio, atendente de supermercado.Local: supermercado.Dionísio compra uma coca-cola e mais um maço de cigarros.Dionísio: “...ah...hora de satisfazer meus prazeres...cigarros....refri...ah..só falta esta gostosa da propaganda.”Atendente: -Só isso senhor?Dionísio: -Sim.Atendente: -Tenha um bom dia senhor.entrevistatema: padrões de mercado, sociedade massificadora, desestruturação das instituições e contras do modelo de vida baseado no consumismo.
5ª cenadialocal:sala de um cartório, cigarros e café. Protagonista carimbandoPersonagens: Dionísio e seu chefe (Paulo).Chefe: - Dionísio, que palhaçada é essa aqui? Já são mais de três requerimentos que você carimba errado!Dionísio: - Desculpa chefe.Paulo: - Ah..e você acha que tudo se resolve simplesmente com uma desculpa? Não é você que agüenta todas aquelas reclamações depois!Dionísio: - Já pedi desculpas Paulo! E além do mais, essa rotina me enche. Tenho que ficar carimbando todas essas folhas que não tem nenhum sentido pra mim, enquanto as coisas funcionam para poucos, que molham a sua mão!Paulo: - Do que você está me acusando?...cuidado rapaz!...quer saber? Estou cansado de seus erros e de seu jeito arrogante de ser! Você está demitido!Dionísio: - Mas....ah! também já estou cansado de engolir sapo de alguém tão babaca! Se há algum erro aqui está no meu salário! Fico contente de nunca mais ter que olha para essa sua cara gorda.Cospe no chão e saiCâmera acompanhando.Dionísio: “era só o que me faltava, durante tanto tempo fiquei só carimbando aqueles papéis que agora nem sei se sei fazer outra coisa! Aquele balofo, puta que pariu! Acho que vou tomar uma coisinha em algum bar.”
6ª cena .diaBar, tomando conhaque e pensando.Dionísio, Garçom.Dionísio: “....durante todos esse anos da minha vida em que só no que pensei foi no que era útil, o que carrego comigo, o que verdadeiramente sou eu?....tenho um filho, um carrinho uma casa. Ah! Droga! Estou sempre procurando como meus fundamentos aquilo que tenho. Nunca consigo chegar no que sou. Talvez seja porque durante toda minha vida essa foi a minha preocupação. E agora pergunto, até onde tudo isso me levou? O que sei da vida? Pra onde estou indo?”- me serve mais umaGarçom: - Servida.Dionísio: “...agora já não mais enxergo sentidos pra viver, a única mulher a quem eu tinha, foi embora de minha casa, meu emprego já era, só tenho mais 20 reais, que provavelmente vou beber, não posso comprar nada. Como posso ter desperdiçado 40 anos de minha vida, como se apertasse a descarga de uma privada cheia de merda? Já não entendo mais nada. E como nada me resta, prefiro vagar pelo mundo a esmo, esperando aquilo que todos esperamos quando vivemos...”- Quanto deu ai? Ug, ug.Garçom: - 5 doses....15 reais senhor.
7ª cenadiaRua. Centro da cidade.Dionísio.Dionísio: - Digo pra todos que me ouvirem! Não façam como eu, não desperdicem 40 anos de suas vidas vivendo atrás de utilitários inúteis , correndo atrás de uma casa ou de uma blusa. Pois quando acordamos, percebemos que nossa corrida foi em vão, e que passamos o tempo todo ignorando o que realmente somos: nada. Hoje, me encontro na total desilusão, meus sonhos de consumo agora sei que nunca vou satisfazer, haha, já não tenho mais dinheiro, compreendo que minha sede nunca teria fim! Por isso me ponho na estrada e por isso agora grito. Descobri dentro de mim que tudo o que estou sendo até agora é vazio!Ando porque não consigo sonhar, ando sem destino para pagar toda a ingratidão que dei à vida e sofro porque tudo o que sei é sofrer.
EntrevistaTema: O homem niilista e seu pessimismo, a quebra dos valores, o despertar filosófico e a crise existencial.

parte 2
9ª cenanoiteAuto-estradaDionísio e andarilho.Andarilho: - Que faz aqui homem? De camisa e calça de rico? Andando nesse trecho?Dionísio: - Como ainda consegue ter forças pra perguntar sobre o problema dos outros? Só os seus já não te bastam?Andarilho: - Dificilmente converso com alguém nessa vida, e quando converso é só com alguém que ta na estrada também. To vendo que tu é novo mesmo na BR rapaz, e já vou logo avisando: aqui não tem espaço pra orgulho. As vezes tu vai ta com sede, e não vai ter água. As vezes tu vai ter fome, e não vai ter o que comer. Assim como um dia eu também vou ter, por isso aqui dependemos uns dos outros.Dionísio: - se quer pedir algo vamos direto....Andarilho: - hahahaha...não to pedindo nada não senhor! Só to querendo puxar conversa, mas já vi que tu vai ter muito que aprender ainda! Aqui não é que nem era tua vida lá na cidade. E pra tu não ter que sofrer como eu sofri durante anos nessa estrada que te digo, aceita tua condição e se enxerga no teu irmão. Jesus Cristo já falava amigo, somos todos iguais.Dionísio segue.“era só o que me faltava agora ter de escutar as palavras de um velho mendigo bancando uma de” sabe tudo “, mas até que tem coisas que ele falou que já ouvi faz muito tempo e só agora, depois de tudo o que passei ,que imagino porque diziam. Só agora, quando vejo que não adianta corrermos atrás do carro do ano, pois só enquanto estamos correndo, perdemos parte da vida, que entendo quão injusto é aquele modo consumista de se viver.”Dionísio: - Hahaha“Só agora que entendo, quando vejo que por todos dependermos um dos outros, não existe ninguém que seja melhor ou pior que o outro, pois todos dependemos de todos, ah, mas que bobagem todo esse papo. Tenho só cinco no bolso, e quando ele acabar, provavelmente me estenderei em uma sarjeta esperando que a morte me pegue.”
10ª cenaDionísiomadrugadafrio, estrada de terra“Como puderam tantos homens ter procurado esses momentos de meditação? Não consigo dormir, não consigo sonhar, só sinto meus pés congelarem. Durante toda minha vida sempre o que fiz foi esperar: esperando o fim do dia, esperando o fim do mês, pra pagar aquela conta que já não agüentava mais a prestação, e quando uma quitava, outra fazia.”Dionísio: - Ahhhh...E agora?? O que esperar??“Talvez a única coisa que me caiba esperar seja o raiar de um novo dia de sol.”
11ª cenaDionísioRaiar do solTomada de longe pinheiro do ParanáPink floyd – atom heart mother“...aqui estou agora, pensando em todas essas coisas...e pela primeira vez, por incrível que pareça, sinto-me como nascendo outra vez, tudo o que esperava encontrei dentro de mim, olhando o sol...é incrível. Como nunca notei? Sinto-me agora burro por nunca ter olhado o pinheiro, que sempre esteve com os galhos voltados para o alto, pedindo para que o sol chegasse e que tudo iluminasse. Sinto-me feliz como nunca, finalmente compreendo o que é o amor, sempre quando me falavam achava que o amor era algo ligado somente a prazeres que, agora posso notar, eram meros prazeres efêmeros..”Dionísio: - Ahhhhh....vida!!!“sinto-a agora, espero que isso que contemplo não passe...ah droga, como durante tanto tempo vivi sem acreditar nas coisas boas que a vida podia me dar? sempre fui um servo da destruição, nunca tinha, até então contemplado a imensa luz de um amanhecer de verão. Hahah, até mesmo dentro de um burro como eu aparecem tamanhas maravilhas....sinto como nunca a sensação de existir!”entrevistas: santo Agostinho e a teoria da iluminação, mito da caverna e a aquisição de sentido para a existência. Shelling, o ideal é o real.
12ª cenaPosto de gasolina, restauranteDionísio e GerenteDionísio: - Bom dia amigo, até anteontem vivia na cidade, tinha emprego e tudo, mas saí de casa, bebi um pouco e, por perceber quanta bobeira estava fazendo de minha vida me pus a andar. E aqui estou agora, sem dúvida esses dias foram os mais importantes da minha vida, pois descobri que todos nós somos irmãos e...Gerente: - ta bom, ta bom, pare de me enrolar com esse blábláblá e peça logo um prato de comida....Dionísio: - era isso mesmo que eu queria senhor, mas não esperava receber tratamento tão estranho....Gerente: - toma, e vai embora...Dionísio: - Obrigado senhor.Dionísio Sai“é....agora que comecei a perceber como realmente podemos ser mais, muda de foco minha vida, e imagino quanta dificuldade ainda vou passar, por tentar reconstruir tudo aquilo que tinha derrubado e ignorado durante 40 anos...”